PSICOLOGIA · ORGANIZAÇÕES · TRABALHO
Burnout: o que a classificação da OMS diz, e o que ela não diz
O termo burnout se tornou comum para descrever cansaço. Na CID-11, porém, a Organização Mundial da Saúde o define como fenômeno do contexto ocupacional associado a estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso. A descrição inclui exaustão, distanciamento mental ou cinismo em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional. A OMS ressalta que burnout não é classificado como condição médica e que o conceito se refere especificamente ao trabalho.
Essa delimitação importa. Nem toda fadiga é burnout; sofrimento intenso também pode envolver outras condições que exigem avaliação clínica. Usar o rótulo sem examinar a pessoa e o contexto pode atrasar o cuidado. Da mesma forma, descrever burnout apenas como incapacidade individual de lidar com pressão desloca a atenção de jornadas, metas, autonomia e apoio.

O modelo de demandas e recursos de Bakker e Demerouti oferece uma forma de examinar como exigências persistentes e recursos insuficientes participam do desgaste. Trata-se de um modelo de pesquisa, não de um diagnóstico automático. Ele ajuda a formular perguntas organizacionais: há tempo para executar as tarefas? O trabalho exige disponibilidade contínua? Lideranças conseguem negociar prioridades?
Uma resposta adequada inclui avaliação profissional quando há sintomas, além de mudanças na atividade. Pausas, pessoal suficiente, metas viáveis e canais de apoio são exemplos que precisam ser ajustados à situação real. A prevenção não pode depender exclusivamente da resistência de cada trabalhador.
Referências
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Burn-out an occupational phenomenon: International Classification of Diseases. BAKKER, A. B.; DEMEROUTI, E. The Job Demands–Resources model: state of the art. Journal of Managerial Psychology, 22(3), 309–328, 2007.
